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Leandro Claro, editor chefe do portal Kartonline.com.br, apresenta mais um bele texto sobre dicas do mundo do karting.
Em mais um artigo trabalhado pelo Portal KartOnline, procuramos trazer para reflexão do ambiente kart, se os modelos de gestão e a postura dos pilotos e coachings de esquipes, favorecem e estimulam o comportamento não ético ao esporte, principalmente a postura de tentar alcançar a excelência por decreto.
Relacionando esta ética esportiva ao ambiente corporativo, na edição de julho de 2010, a revista Harvard Business Review Brasil apresenta um artigo da especialista em Gestão de Mudanças, Rosabeth Moss Kanter, em que ela levanta a questão sobre se a falta de poder pode corromper e que isso tem muito a ver com os entraves existentes dentro das empresas por questões burocráticas e manutenção de silos de poder. Você tenta avançar no seu trabalho e emperra em frases como, por exemplo, “Os procedimentos não permitemâ€, “Vai levar meses para ser aprovadoâ€, “Isso não vai dar certoâ€, “Aqui sempre foi assimâ€.
Diante desse tipo de barreira, ou você entra no jogo da troca de favores ou você é excluÃdo do processo. É por essa razão que as relações polÃticas imperam muito mais nas empresas do que o atingimento dos resultados que interessam realmente a empresa.
No kartismo, este modelo é aplicado a falta de conhecimento dos preparadores que não usam a tecnologia a seu favor, mitigando o "gastar seu dinheiro" de forma inquestionada e a favor do interesse pessoal. Da mesma forma ocorre com os Clubes Locais de Kart, Federações e a própria CBA, que usam as relações para inverter e conseguir o que desejam. Quanto mais ordem, quanto maior a centralização do poder, maior é a inversão.
Tal comprometimento da eficácia organizacional da CBA tende a trazer conseguências terrÃveis em futuro muito próximo para as empresas, uma vez que uma das grandes forças de mudança no cenário competitivo que se faz na transferência de poder do centro para as bordas, principalmente, em consequência do aumento do poder do consumidor, que hoje em dia ainda é muito mais ciente de sua força na econonia do que em tempos anteriores - porém este poder não é aplicado no dia-a-dia do kartismo.
No artigo da Rosabeth, destaco um parágrafo que é um retrato atual das consequências do modelo de gestão concentrador de poder e de informações no centro. Ela argumenta que “a falta de poder é particularmente evidente nas fileiras do meio. Quando corta cargos de nÃvel médio, a empresa normalmente eleva a carga de trabalho dos que sobraram sem aumentar sua eficácia e influência – combinação que tende a provocar a rigidez da aversão ao risco. Tolhido por regras e tratado como desimportante, o pessoal revida: supercontrola seu território, cobra tributo antes de responder a solicitações. Desconta sua frustração em gente ainda mais impotente. É como uma sequência num desenho animado: o chefe critica o funcionário, que amaldiçoa a mulher, que grita com o filho, que chuta o cachorro.â€
Analisando os principais grupos industriais do kartismo brasileiro, ambos possuem dois discursos "corporativos comuns": “- Nós temos a Nossa Missão e a Nossa Visão†e “Nossos funcionários são a coisa mais importante para a empresaâ€. No caso da “Nossa Missão†e da “Nossa visãoâ€, são apenas artefatos decorativos da cultura organizacional da maioria das empresas, o que existe realmente é a “NOSSA PRESSÃOâ€. Pressão pelos resultados, pressão pelas metas, pressão pelas vendas, é pressão para todo lado. Ocorre que o problema em si não está nessa pressão exercida pelos altos escalões das empresas, mas sim na falta de autonomia para os funcionários na ponta, aqueles que estão em contato direto com o consumidor, aquele mesmo que possui maior poder na nova economia. Nesse caso, a autonomia deve existir na mesma proporção existente da nossa pressão.
Quanto ao segundo discurso, se realmente os funcionários fossem o ativo principal das empresas, as empresas procurariam incentivar muito mais uma postura colaborativa do que competitiva na cultura organizacional. Procurariam confiar mais e compatilhar o poder que hoje está concentrado no centro das empresas, deveriam procurar criar uma verdadeira democracia de informações para que seus funcionários pudessem agir com o interesse da empresa toda em mente.
Afinal de contas, cada vez mais, a geração de valor se dará na interface entre funcionários da linha de frente e os clientes da empresa. Esse pessoal precisa de informações e autonomia para poder fazer o que é certo para o cliente sem ter de pedir permissão, ainda mais em ambientes de alta volatilidade onde é necessário liberdade para agir com rapidez. As empresas precisam repensar esse modelo, pois o custo de sonegação de informações e de centralização do poder está se tornando cada vez mais inaceitável.
Por Leandro Claro, editor-chefe do Portal KartOnline. Fotos: Arquivo Pessoal
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